TRE-RO cassa chapas do União Brasil e do PL por fraude à cota de gênero

Decisões atingem dois municípios, anulam votos, derrubam mandatos e tornam candidatas inelegíveis por oito anos

O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) cassou as chapas proporcionais do União Brasil e do PL por fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024, após identificar o uso de candidaturas femininas fictícias.

As decisões atingem disputas para vereador nos municípios de Governador Jorge Teixeira e Teixeirópolis. Além da cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (Drap), o tribunal determinou a anulação dos votos recebidos pelos partidos, a perda dos mandatos e a recontagem dos quocientes eleitoral e partidário.

No caso do União Brasil, em Governador Jorge Teixeira, uma candidata teve apenas um voto e admitiu não ter votado em si mesma. A prestação de contas apresentou baixa movimentação financeira, com doações inferiores a R$ 2 mil.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, a candidata não realizou campanha própria e atuou como cabo eleitoral de outra candidatura. A análise de redes sociais indicou ausência de promoção pessoal e falta de intenção real de disputar o cargo.

O tribunal rejeitou a justificativa da defesa de que a candidata teria sido prejudicada por um episódio de prisão durante o período eleitoral, apontando que o fato não explica a baixa votação.

Em Teixeirópolis, o TRE também reconheceu fraude envolvendo o PL. A candidata obteve quatro votos, não residia no município e não apresentou registros de campanha em redes sociais, rádio ou televisão.

A decisão apontou que, além da votação reduzida e da ausência de movimentação financeira relevante, houve indícios de que a candidatura foi lançada apenas para cumprir formalmente a cota de gênero, sem efetiva participação no processo eleitoral.

Nos dois casos, as candidatas foram declaradas inelegíveis por oito anos. A legislação eleitoral prevê que a fraude à cota de gênero leva à cassação de toda a chapa proporcional, independentemente da participação direta dos demais candidatos.

O Ministério Público destacou que a reserva mínima de 30% de candidaturas femininas busca ampliar a participação das mulheres na política. No entanto, o uso de candidaturas fictícias continua sendo um dos fatores apontados para a baixa representatividade feminina nos cargos eletivos.

Veja também:

Marcos Rocha deixa União Brasil, se filia ao PSD e assume comando do partido em Rondônia

Acesse o nosso perfil no Instagram 

Escolhas do editor

Após saída de Darlinda Moura, Luciano Silvestre assume a Polícia Civil de Roraima

O governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), anunciou nesta...

Justiça Federal condena Rodrigo Cataratas a mais de 16 anos por liderar garimpo ilegal na Terra Yanomami

O empresário e garimpeiro Rodrigo Martins de Mello, conhecido...

TRF1 confirma liminar e impede fechamento, paralisação e privatização do PSM da 14, em Belém

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), com...

Trump chama manifestantes pró-Venezuela de “os mais feios” e diz que protestos são pagos

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump atacou manifestações...

Últimas matérias

Cármen Lúcia antecipa sucessão no TSE e deixa presidência antes das eleições de 2026

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia, decidiu...

TSE pauta julgamento de cassação de Denarium para terça-feira (14)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) incluiu na pauta da...

Ex-senador Mário Couto diz que foi barrado no Novo por interferência de Daniel Santos

O ex-senador Mário Couto afirmou que uma articulação política...

Indígenas fazem marcha em Brasília e cobram de Lula avanço nas demarcações

Milhares de lideranças indígenas de diferentes regiões do país...

Romero Jucá confirma pré-candidatura a deputado federal por Roraima

O ex-senador Romero Jucá confirmou que será candidato a...

EUA e Israel atacam principal universidade de tecnologia do Irã

A Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã, foi bombardeada...
spot_img

Artigos Relacionados

Categorias Populares