A estreia da categoria Diamante marcou a programação da Arena Junina na noite desta terça-feira (16), durante o Boa Vista Junina 2026. Criada neste ano para ampliar as oportunidades de crescimento das agremiações e fortalecer o movimento junino local, a nova divisão levou ao tablado apresentações das quadrilhas Garranxê, Amor Caipira e Agitação Caipira, que reuniram enredos inspirados na história, na cultura popular e na religiosidade brasileira.
A primeira noite da categoria foi acompanhada por um grande público e evidenciou o alto nível técnico das agremiações, que apostaram em produções elaboradas, cenários, coreografias e narrativas temáticas para disputar espaço entre os principais grupos do festival.
Segundo o coordenador do Concurso de Quadrilhas e apresentador da Arena Junina, Chiquinho Santos, a criação da categoria já demonstra impactos positivos para o movimento junino.
De acordo com ele, a nova divisão ampliou a competitividade entre os grupos das categorias Acesso e Especial, além de incentivar investimentos tanto das agremiações quanto da Prefeitura de Boa Vista, por meio da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (Fetec).
Garranxê abre a noite com enredo sobre resistência popular
Responsável pela abertura da categoria Diamante, a quadrilha Garranxê apresentou o espetáculo “A Resistência”, inspirado na reação da população de Mossoró, no Rio Grande do Norte, contra a invasão do grupo liderado por Lampião em 1927.
O enredo destacou valores como coragem, união, pertencimento e fé, retratando a mobilização de uma comunidade para defender seu território diante da ameaça do cangaço.
Amor Caipira leva à arena história de superação no sertão
A segunda apresentação da noite foi da quadrilha Amor Caipira, com o espetáculo “Na Boleia do Destino”. A narrativa acompanhou a trajetória de Nazinha, personagem que busca reconstruir a vida após enfrentar situações de violência.
Ao longo da história, a protagonista percorre estradas do sertão e encontra personagens históricos e populares, como Lampião e Maria Bonita, em um enredo que aborda memória, identidade cultural e a força das comunidades sertanejas.
Agitação Caipira encerra apresentações com homenagem a São João
Fechando a programação da noite, a Agitação Caipira apresentou o espetáculo “O São João que João não viu”. A trama acompanhou os personagens Isabel e Zacarias em uma viagem no tempo para encontrar São João Batista e apresentar ao santo as manifestações culturais criadas em sua homenagem ao longo dos anos.
A apresentação destacou elementos da cultura popular brasileira, da religiosidade e das tradições juninas que se consolidaram em diferentes regiões do país.
Milton Cunha destaca qualidade das apresentações
Entre os convidados que acompanharam as apresentações estava o comentarista carnavalesco Milton Cunha. Após assistir aos espetáculos, ele elogiou o nível artístico das quadrilhas de Roraima e incentivou os grupos a explorarem ainda mais os elementos culturais da Amazônia em suas produções.
Segundo ele, a valorização das lendas, dos símbolos regionais e das narrativas amazônicas fortalece a identidade cultural local e amplia o potencial criativo dos espetáculos.
Paixão junina movimenta público
Além das apresentações na arena, a noite também foi marcada pela participação do público, que lotou as arquibancadas para acompanhar a estreia da nova categoria.
Entre os espectadores estava a vendedora Fernanda Richelli, que já integrou quadrilhas juninas e hoje acompanha o evento como admiradora. Ela destacou que o Boa Vista Junina continua sendo um dos momentos mais aguardados do calendário cultural da capital.
Programação continua nesta quarta-feira
A Arena Junina segue com programação nesta quarta-feira (17). As apresentações terão início às 18h com a Quadrilha Juventude na Roça, do Projeto Crescer.
Na sequência, a categoria Diamante retorna ao tablado com as apresentações das quadrilhas Coração Caipira, Zé Monteirão e Eita Junino.






