Movimento indígena denuncia vereador de Santarém por avançar com carro contra bloqueio na BR-163

Episódio ocorreu durante bloqueio próximo ao terminal da Cargill e envolveu famílias, idosos e crianças, segundo organizadores

O vereador Malaquias Mottin (PL) é acusado por lideranças indígenas de avançar com um carro contra uma barreira montada durante um protesto na BR-163, na noite de quinta-feira, 5, nas proximidades do terminal portuário da empresa Cargill, em Santarém, no oeste do Pará.

Segundo o relato do movimento indígena, o veículo teria sido conduzido pelo vereador Malaquias Mottin, do PL, e avançado em direção a pneus e estruturas utilizadas no bloqueio da rodovia, onde ocorria uma vigília com a participação de famílias, idosos e crianças.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o momento em que o carro se aproxima do local onde estavam os manifestantes. De acordo com os organizadores do ato, algumas pessoas se posicionaram à frente do veículo para impedir a passagem e evitar feridos. Após a reação coletiva, o automóvel teria deixado o local.

Em nota, o movimento classificou o episódio como uma tentativa de intimidação e afirmou que a mobilização ocorre de forma pacífica. As lideranças indígenas informaram que o protesto tem como objetivo a defesa do rio Tapajós, dos territórios tradicionais e do direito à consulta livre, prévia e informada, conforme previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

A manifestação integra uma série de atos realizados por povos indígenas na região do Tapajós contra projetos ligados à exploração logística e à implantação de hidrovias, que, segundo as lideranças, avançam sem consulta adequada às comunidades locais.

Entre as reivindicações apresentadas estão a apuração do ocorrido, com identificação formal do veículo e coleta de provas, a garantia de segurança aos participantes e lideranças do movimento e a atuação de órgãos públicos para assegurar o direito constitucional de manifestação.

Os manifestantes também informaram que a mobilização deve ser mantida na rodovia e em áreas de ocupação até que o governo apresente respostas sobre a revogação do Decreto nº 12.600 de 2025 e sobre o processo de dragagem na região do Tapajós.

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