Dores crônicas atingem quase 40% dos brasileiros acima dos 50 anos e, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30% desse grupo utiliza analgésicos e anti-inflamatórios apenas para alívio momentâneo. Com o avanço de técnicas minimamente invasivas, médicos têm ampliado alternativas para tratar a causa da dor sem recorrer ao uso contínuo de medicamentos ou a procedimentos cirúrgicos.
Entre 22 e 25 de janeiro, Manaus receberá o “Workshop de Métodos Minimamente Invasivos para Dor Crônica – prática, atualização e técnicas que transformam o manejo da dor”, exclusivo para médicos. A formação é promovida pela APM Cursos Médicos, com aulas teóricas e práticas. Entre os instrutores estão a ortopedista e traumatologista Caroline Brum e o médico Eder Pinheiro, especialista em dor pelo Hospital Israelita Albert Einstein e em acupuntura médica.
Segundo Caroline Brum, o objetivo é capacitar médicos a substituir o tratamento paliativo por intervenções que atacam a origem do problema. “O curso é voltado para fugir dos anti-inflamatórios e da cirurgia. Vamos fazer desde Mesoterapia, um procedimento que não se faz muito em Manaus, que consiste na aplicação de medicações bem embaixo da pele. Infiltração intra-articular e bloqueio de nervos também serão feitos”, afirma.
A médica observa que ainda há uma cultura de prescrever analgésicos e anti-inflamatórios como primeira e última opção. “Muitos médicos passam remédio para dor, mas não sabem realmente o que está causando o mal-estar. A maioria dos profissionais ainda trata dor como um sintoma passageiro e usando abordagem superficial. Hoje, há outras formas de tratamento para o paciente, que não precisa ir direto para uma sala de cirurgia, por exemplo. Dá para manter apenas medicação oral e o resultado bom através dos procedimentos”, diz Brum.
Procedimentos ensinados
O workshop abordará desde técnicas com seringa até dispositivos não invasivos. Entre eles: agulhamentos, uso de toxina botulínica, mesoterapia e viscossuplementação; além de terapias com TOC, laser e campo magnético.
Para Caroline Brum, dominar essas técnicas passa a ser diferencial profissional. “Na faculdade só se aprende medicação oral generalizada, como o anti-inflamatório comum, mas sem especificar algum tipo. Só que hoje a gente sabe que a frequência do anti-inflamatório oral pode trazer uma série consequências ruins para o fígado, úlcera e chance de AVC”, explica.
Ela afirma que o curso também vai treinar a avaliação clínica. “Vamos ensinar como examinar o paciente para definir melhor tipo de tratamento. Com a APM, o médico vai aprender na prática com pessoas renomadas a dominar o tratamento da dor. É o que diferencia médicos comuns dos mais reconhecidos”, reforça.
Idosos e atletas entre os mais beneficiados
Técnicas minimamente invasivas permitem recuperação mais rápida e reduzem riscos associados à cirurgia e à hospitalização, o que amplia o alcance dos tratamentos. Segundo Brum, idosos e atletas estão entre os grupos com maior potencial de benefício.
“Uma pessoa com dor em grau dez, a escala máxima, volta a ter qualidade de vida sem nenhum risco. Um atleta com dor, que não pode parar seus treinos, faz o procedimento minimamente invasivo e em dois a três dias pode voltar às suas atividades”, afirma.
APM vai ampliar formações
A APM Cursos Médicos oferece pós-graduações e especializações para médicos com foco em formação prática intensiva. Para 2026, a instituição prevê cursos em Dor, Ósteo Metabolismo, Medicina do Esporte, Psiquiatria na Infância e Cosmiatria/Dermatologia.






