Um venezuelano de 32 anos foi preso preventivamente nesta quinta-feira, 5, em Boa Vista, suspeito de comandar um esquema de tráfico de pessoas e estelionato envolvendo imigrantes cubanos, com uso fraudulento de milhas aéreas para emissão de passagens.
A prisão ocorreu durante a Operação Malecón, deflagrada pela Polícia Civil de Roraima, por meio da DRACO, com apoio do Núcleo de Inteligência. Segundo a investigação, o suspeito, identificado como J.A.L.L., coordenava a logística do esquema na capital, incluindo hospedagem, transporte e encaminhamento dos imigrantes ao aeroporto.
De acordo com o delegado Wesley Costa de Oliveira, titular da DRACO, as apurações começaram no fim de janeiro após relatos das vítimas. “Representamos rapidamente pelas medidas cautelares e fomos prontamente atendidos pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário, o que permitiu a deflagração da operação em curto prazo”, afirmou.
As investigações apontam que os cubanos eram aliciados ainda em Cuba e ingressavam no Brasil pela chamada Rota das Guianas, entrando por Lethem, na Guiana, com destino a Boa Vista. A partir da capital, seguiam para outros centros do país com apoio da rede criminosa.
Parte das vítimas também foi alvo de golpe financeiro. “Identificamos que alguns desses cubanos pagaram em dólar por passagens aéreas que foram emitidas com milhas furtadas de vítimas em outros estados. Quando tentaram embarcar, foram impedidos, configurando um crime de estelionato inserido dentro de um contexto maior de tráfico de pessoas”, explicou o delegado.
Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nos bairros Buritis e Tancredo Neves. O investigado foi localizado em um imóvel no bairro Buritis, pertencente a um policial militar. A Polícia Civil apura eventual ligação do militar com os fatos.
Em outro endereço, no bairro Tancredo Neves, os policiais encontraram um imóvel usado como hospedagem irregular, sem alvará, com cerca de 30 camas destinadas a abrigar temporariamente os imigrantes. “Essas pessoas chegavam por via terrestre até Lethem e eram encaminhadas para esse local, que funcionava como ponto de apoio logístico”, detalhou o delegado.
A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 400 mil em contas vinculadas ao principal alvo. Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos cerca de R$ 12 mil em espécie, em diferentes moedas, além de documentos, chips telefônicos lacrados, celulares, cadernos de anotações e dois veículos usados na logística do esquema.
Após a prisão, o suspeito foi encaminhado à sede da DRACO para interrogatório e, em seguida, será apresentado em audiência de custódia. A investigação segue para identificar outros possíveis envolvidos.
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