“Jesus não escuta quem faz guerra”, diz papa após tensão com Trump

Trump, que segue com operações bélicas na Venezuela, Cuba e Irã, disse que o papa está errado.

O papa Leão XIV fez uma das declarações mais duras sobre a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã ao afirmar que “Jesus não escuta quem faz guerra”. A fala ocorre em meio ao aumento das tensões internacionais e à troca de críticas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A declaração foi dada após o pontífice criticar o que chamou de “ilusão de onipotência” por trás da escalada de violência. Segundo ele, líderes mundiais precisam interromper as hostilidades e buscar soluções diplomáticas para o conflito.

“Jesus não escuta as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeita. Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue”, afirmou.

Ele também voltou a fazer um apelo direto por paz, destacando que a Igreja não pode se omitir diante do cenário internacional. A fala elevou o tom do posicionamento do Vaticano no debate global sobre o conflito.

Troca de críticas

A reação de Trump veio em tom crítico. O presidente afirmou que o papa estaria “errado” ao comentar política internacional e classificou as posições do pontífice como “fracas”.

Após as declarações, Leão XIV voltou a se pronunciar durante conversa com jornalistas a bordo do avião papal. Ele disse que não pretende entrar em debate político e reforçou o caráter religioso de sua fala.

“Eu não sou um político. Não tenho intenção de debater. A mensagem é a mesma: promover a paz”, afirmou.

O pontífice também disse que suas declarações não devem ser interpretadas como posicionamento político.

“Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui é não compreender qual é a mensagem do Evangelho”, declarou.

Repercussão

Leão XIV ainda afirmou que não teme as críticas do governo norte-americano e que seguirá com o que considera sua missão espiritual. O posicionamento ocorre em meio à repercussão internacional das declarações.

Do lado da Casa Branca, Trump manteve o tom e descartou qualquer recuo. Ele afirmou que não há motivo para pedir desculpas e defendeu a política dos Estados Unidos em relação ao Irã.

Horas após as críticas, o presidente também publicou uma imagem com forte simbolismo religioso. Na ilustração, ele aparece com vestes semelhantes às de figuras sagradas, em um gesto associado à cura, o que ampliou a repercussão do episódio.

Posteriormente, Trump negou que tenha tentado se equiparar a figuras religiosas.

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