A aprovação do aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões no Banco de Brasília abriu uma nova frente de tensão dentro da instituição, com acionistas minoritários contestando a operação e cobrando a divulgação do tamanho exato das perdas ligadas ao caso Banco Master. Entidades que representam 13,55% das ações votaram contra a medida e questionaram a capitalização aprovada em meio a incertezas sobre o impacto financeiro da crise.
Conforme manifestações das associações que representam esses investidores, a principal crítica está na definição do volume da emissão antes da divulgação do balanço financeiro de 2025 e sem apresentação de auditoria que dimensione o prejuízo consolidado das operações investigadas. O argumento é que a recomposição patrimonial foi aprovada sem clareza sobre o tamanho do rombo que motivou a medida.
Diante desse cenário, os minoritários também apontam risco de diluição acionária caso não acompanhem a subscrição, além de questionarem o repasse dos efeitos econômicos da crise a investidores que, segundo sustentam, não participaram das decisões que levaram ao problema. Segundo as entidades, provisões ligadas ao caso teriam avançado de R$ 2,6 bilhões para R$ 8,8 bilhões em poucos meses.
Crise após caso Master
Entre os fatores que levaram à capitalização está a crise aberta após operações envolvendo cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master, que passaram a pressionar indicadores prudenciais do BRB e ampliaram o escrutínio sobre a governança do banco. A operação elevou a necessidade de reforço de liquidez e desencadeou medidas para recompor capital.
Na defesa da proposta, a direção do banco sustenta que o aumento de capital é parte do plano para estabilizar a instituição e cumprir cronograma de integralização até maio. A medida também abre espaço para operações financeiras já anunciadas, como captação de recursos e uso de garantias para reforço patrimonial.
Por outro lado, o caso Mater ampliou o anúncio de acordo para estruturar um fundo voltado à transferência de ativos ligados ao banco, em operação estimada em até R$ 15 bilhões. A movimentação é tratada pelo banco como parte da estratégia para reorganizar exposição e recuperar liquidez.






