‘Balcão de negócios’: investigação revela como delegado preso operava propinas em delegacia de RR

Desdobramento de investigação contra Rick da Silva indica triagem de presos para venda de liberdade e sabotagem de provas em duplo homicídio; delegado está afastado por 180 dias

A continuidade das investigações sobre o delegado Rick da Silva e Silva, preso desde o dia 14 de abril, revela agora um esquema estruturado de corrupção dentro da delegacia de Rorainópolis. Segundo decisão judicial proferida nesta quarta-feira (29), o policial operava uma espécie de “balcão de negócios” no Sul de Roraima, direcionando flagrantes para uma advogada específica.
De acordo com o Ministério Público, o servidor impedia o atendimento da Defensoria Pública para forçar o pagamento de honorários, que eram posteriormente divididos entre ele e a cúmplice.
O desdobramento do caso, que teve acesso exclusivo a documentos do Tribunal de Justiça, detalha que a unidade policial foi aparelhada para fins espúrios e lucrativos. Testemunhas relataram que o delegado realizava uma triagem minuciosa dos detidos, priorizando aqueles com maior capacidade financeira para alimentar a cobrança de propinas em dinheiro vivo.

O magistrado Raimundo Anastácio Carvalho, ao determinar o afastamento de Rick por 180 dias, destacou que a estatística de prisões conduzidas exclusivamente pela dupla derrubou qualquer tese de coincidência profissional.

Sabotagem de provas

Além do lucro com as custódias, o suíte da investigação aponta para um cenário de sabotagem processual em um caso de duplo homicídio ocorrido no final de 2025. O delegado é suspeito de ocultar provas e alterar a cena do crime onde um casal de empresários foi morto, visando esconder que era devedor de uma das vítimas, que atuava com agiotagem.

Para garantir o silêncio sobre as irregularidades, Rick utilizava o cargo para coagir subordinados com ameaças de fabricação de dossiês e grampos telefônicos falsos contra colegas.

Com o novo entendimento judicial, Rick da Silva e Silva está proibido de exercer qualquer função pública ou entrar em delegacias até outubro de 2026. A Justiça também ordenou o bloqueio de seus acessos aos sistemas de segurança e a apreensão de armas e distintivos institucionais para evitar novas interferências na instrução criminal.

O Gaeco agora trabalha na lavagem de dinheiro e prevaricação como frentes principais do inquérito, enquanto a Corregedoria da Polícia Civil analisa a demissão definitiva do servidor após o fechamento do cerco jurídico.

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