O ex-prefeito de Ananindeua e atual pré-candidato ao Governo do Pará, Daniel Santos (Podemos), apareceu na 5ª colocação de um ranking estadual que avaliou gestões municipais, mesmo ele sendo alvo de investigações que apuram suspeitas de corrupção e irregularidades em contratos públicos.
De acordo com o levantamento divulgado na quinta-feira (23) pela Doxa, foi medido a percepção da população em 32 municípios paraenses. Em Ananindeua, a gestão de Daniel Santos registra 88,35% de aprovação, segundo a pesquisa baseada em entrevistas domiciliares realizadas entre fevereiro e abril.
O estudo ouviu 4 mil pessoas em diferentes regiões do estado, incluindo áreas urbanas e rurais. A metodologia considera variáveis como sexo, idade e distribuição geográfica dos entrevistados, com margem de erro de 3,5%.
No “Ranking Melhores Gestões 2026” em primeiro lugar aparece Eduardo Piox do município de São Miguel do Guamá, seguido por Vigia, Tailândia e Altamira. Já cidades como Abaetetuba, Parauapebas e Eldorado dos Carajás figuram na parte de baixo da lista, com índices abaixo de 40% de aprovação.
Confira o ranking:

Investigações
Paralelo ao desempenho no ranking, Daniel Santos é alvo de investigações do Ministério Público do Pará que apuram suspeitas de corrupção em contratos da Prefeitura de Ananindeua. Os casos estão ligados às operações Aqueronte e Hades, que identificaram indícios de fraudes em licitações, organização criminosa e lavagem de capitais.
As apurações apontam contratos que somam mais de R$ 100 milhões com empresas investigadas por suposto direcionamento de licitações e ausência de concorrência real. Em outra frente, o MPPA também cita possíveis vínculos entre fornecedores da gestão e a aquisição de bens de alto valor, incluindo imóveis e ativos privados.
Em outubro de 2025, o órgão chegou a apresentar denúncia contra o prefeito e outros investigados, com base nos elementos colhidos ao longo das operações. Os processos seguem em diferentes instâncias e parte das investigações tramita sob sigilo judicial.
Bens bloqueados
Nas eleições de 2024, o político declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 4.849.539,60. No entanto, levantamentos da Operação Hades indicam uma evolução patrimonial considerada muito superior, com decisão judicial que determinou o bloqueio de R$ 140 milhões em bens atribuídos direta ou indiretamente a Daniel Santos, valor cerca de 28 vezes maior que o informado na declaração oficial.
A investigação também traça a variação dos bens ao longo dos anos. Em 2018, quando foi eleito deputado estadual, ele declarou R$ 351 mil. Em 2020, o valor subiu para R$ 2 milhões, até alcançar os R$ 4,8 milhões registrados em 2024, diferença que, segundo o Ministério Público do Pará, não acompanha o volume de patrimônio identificado nas apurações.
Entre os bens mapeados pela Operação Hades estão fazendas em Tomé-Açu, avaliadas em cerca de R$ 16 milhões, propriedades em Aurora do Pará, aeronave, imóveis no Ceará e maquinário agrícola. Também foram citados valores em combustíveis e itens de luxo. Segundo o MPPA, parte desse patrimônio não consta nas declarações eleitorais e estaria registrada em nome de terceiros ou empresas ligadas ao entorno do investigado, como a JD Agropecuária.






